COP17 em Ereván expôs falhas no financiamento do Marco Kunming‑Montreal; entenda lacunas e como doadores podem agir de forma eficaz.
Desde os debates centrais até os corredores da conferência, a COP17 (Erevan, 31 de outubro de 2026) deixou claro que o principal obstáculo à implementação do Marco Kunming‑Montreal continua sendo a escassez e a má distribuição do financiamento para implementação do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal em países em desenvolvimento. Este texto analisa as falhas anunciadas em Ereván, expõe impactos concretos e apresenta caminhos práticos para que doadores e parceiros convertam compromisso em resultados reais.
O que estava em jogo na COP17 (Erevan, 31 de outubro de 2026)
A reunião em Ereván foi apontada como oportunidade decisiva para acelerar medidas previstas no Marco Kunming‑Montreal, com ênfase em proteção de áreas, restauração de ecossistemas e apoio a comunidades locais. No entanto, as discussões evidenciaram uma lacuna entre metas e recursos disponíveis: muitos países em desenvolvimento relatam dificuldades de acesso a fundos, morosidade nos desembolsos e instrumentos financeiros inadequados para projetos comunitários e de base.
Principais falhas no financiamento identificadas em Ereván
Durante a COP17, observadores e representantes de países em desenvolvimento destacaram falhas recorrentes. Entre elas, merecem atenção:
- Compromissos internacionais que não se traduzem em desembolsos consistentes ou previsíveis, dificultando planejamento de longo prazo.
- Mecanismos que privilegiam grandes instituições e projetos de grande escala, deixando fundos essenciais para comunidades locais sem acesso direto.
- Burocracia e requisitos de prontidão técnica que excluem projetos inovadores liderados por povos indígenas e organizações comunitárias.
- Falta de transparência e prestação de contas clara sobre a origem, destinação e resultados dos recursos mobilizados.
Por que essas falhas importam na prática
A ausência de financiamento adequado compromete iniciativas de conservação e as estratégias de adaptação e mitigação previstas pelo Marco Kunming‑Montreal. Projetos de restauração, sistemas de monitoramento participativo, pagamentos por serviços ambientais e programas de fortalecimento de governança local dependem de fluxos financeiros previsíveis. Quando esses recursos não chegam, perde-se não apenas biodiversidade, mas também meios de subsistência e segurança cultural de comunidades tradicionais.
Barreiras institucionais que ampliam o problema
Além da insuficiência de fundos, há barreiras institucionais que perpetuam a desigualdade no acesso ao financiamento. Instrumentos financeiros internacionais muitas vezes exigem garantias, relatórios técnicos complexos e modelos de gestão que favorecem intermediários. Essa estrutura limita o acesso de organizações comunitárias, mutirões locais e pequenas ONGs que, apesar de terem projetos eficazes, não atendem aos critérios de ‘prontidão’ estabelecidos por muitos doadores.
O papel das salvaguardas e da transparência
Transparência e salvaguardas sociais e ambientais são essenciais, mas não podem servir como desculpa para bloquear recursos. O desafio é equilibrar rigor com flexibilidade: adotar mecanismos de controle que sejam proporcionais ao porte do projeto e permitir acesso direto a fundos por meio de janelas de financiamento específicas para iniciativas lideradas por comunidades e organizações locais.
Como doadores e parceiros podem agir agora
Passar da crítica à ação exige medidas concretas e urgentes. Sugerimos passos práticos alinhados ao roteiro de impacto:
- PASSO 1 – Identificar e priorizar causas e necessidades locais: financiar diagnósticos participativos e fortalecer iniciativas que já demonstram resultados no território.
- PASSO 2 – Apoiar capacidades e reduzir barreiras: destinar recursos para preparação de projetos, assistências técnicas e requisitos simplificados que permitam acesso direto de organizações locais.
- PASSO 3 – Garantir previsibilidade e monitoramento: optar por financiamentos plurianuais, com critérios claros de prestação de contas e indicadores que incluam resultados sociais e ambientais.
Além disso, doadores devem incentivar janelas de financiamento com enfoque em povos indígenas e comunidades tradicionais, fomentar parcerias com fundos nacionais e regionais e exigir maior transparência na prestação de contas das agências multilaterais e intermediários.
Modelos de financiamento mais eficazes
Algumas práticas destacadas por especialistas presentes em Ereván podem ser adotadas sem grandes inovações institucionais: cofinanciamento com contrapartida local não onerosa, microfinanciamento para iniciativas comunitárias, subvenções rápidas para resposta a ameaças emergentes e mecanismos de pagamento por serviços ecossistêmicos com participação direta dos guardiões do território. Estas abordagens aumentam a equidade no acesso e aceleram a implementação do Marco Kunming‑Montreal.
Mobilize-se: doações eficazes e seguras para a implementação
Se você representa um doador individual, fundação ou empresa, adote práticas que maximizem impacto e minimizem riscos: verifique histórico e registros legais das organizações, prefira apoio multianual, exija relatórios claros e indicadores de impacto, apoie capacitação local e priorize transparência. Pequenas doações regulares e direcionadas muitas vezes têm mais impacto do que contribuições pontuais e pouco monitoradas. ♻️
Chamado à ação imediata
A COP17 em Ereván alertou para a urgência: sem mudanças no desenho e na execução do financiamento, metas do Marco Kunming‑Montreal permanecerão fora de alcance. Doadores e parceiros têm papel decisivo para transformar compromissos em resultados concretos. Comece hoje identificando uma iniciativa local confiável, informe-se sobre práticas de due diligence simplificada e considere aporte plurianual que permita escala e continuidade.
Perguntas Frequentes sobre financiamento e o Marco Kunming‑Montreal
O que é o Marco Kunming‑Montreal?
O Marco Kunming‑Montreal é o acordo global de biodiversidade que estabelece metas e estratégias para a conservação e uso sustentável da natureza. Sua implementação depende, entre outros fatores, de financiamento adequado e equitativo, especialmente em países em desenvolvimento.
O que a COP17 em Ereván revelou sobre o financiamento?
Em Ereván, em 31 de outubro de 2026, observadores destacaram a insuficiência de desembolsos, a falta de acesso direto para comunidades locais e a prevalência de mecanismos financeiros que favorecem grandes projetos em detrimento de iniciativas de base. Essas falhas comprometem a operacionalização do Marco em muitos territórios.
Como garantir que minha doação chegue às comunidades afetadas?
Priorize instrumentos que permitam acesso direto, verifique transparência e histórico da organização beneficiada, prefira financiamentos plurianuais e apoie também a capacitação para gestão de projetos. Buscar parcerias com fundos regionais e redes de organizações locais aumenta a probabilidade de impacto real.
Quais ações imediatas os doadores institucionais podem tomar?
Instituições podem criar janelas de financiamento para projetos comunitários, simplificar requisitos de elegibilidade, ampliar subvenções pequenas e rápidas, e implementar critérios de monitoramento que valorizem resultados socioambientais e participativos.
Como as ONGs e movimentos locais podem se preparar para acessar recursos?
Investir em governança, transparência, formulação clara de projetos e parcerias estratégicas é crucial. Negociar apoio para preparação de projetos e desenvolver propostas que integrem indicadores sociais e ambientais pode reduzir barreiras de acesso a fundos internacionais.



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